Culinária

Dicas para ter uma cozinha ergonômica e funcional

Um bom projeto de cozinha respeita os fluxos da casa, o corpo e os hábitos de quem a utiliza

04/08/2025 às 18:02:49 | Por: dc33 Comunicação

Dicas para ter uma cozinha ergonômica e funcional

(Freepik)

Não faz muito tempo: bastava caber o fogão, a geladeira e a pia e, pronto, estava feita a cozinha. Pouco se discutia sobre altura de bancada, distância apropriada entre os equipamentos ou iluminação certa para o preparo dos alimentos. Mas os tempos mudaram, a cozinha se tornou o coração da casa, virou lugar de encontros e afetos, e ganhou novos olhares, mais detalhistas e certeiros. Essa transformação trouxe uma nova forma de projetar a cozinha, mais focada na personalização e em soluções confortáveis.



Por isso, o arquiteto Paulo Tripoloni, à frente do Atelier que leva seu nome, reuniu dicas importantes que norteiam a criação de um ambiente, verdadeiramente, acolhedor, com alturas ideais, distâncias estratégicas, iluminação eficiente e muitos outros atributos que jamais podem ficar de fora.



Principal erro que compromete as cozinhas


Por trás de muitas cozinhas impecáveis, há um detalhe que só se revela com o tempo: a falta de funcionalidade. Circulação travada, armários mal posicionados, falta de espaço para apoiar ingredientes ou até mesmo a ausência de uma tomada onde mais se precisa, tudo isso, segundo Paulo Tripoloni, vem da ausência de planejamento, um erro invisível à primeira vista, mas que compromete a produtividade diária.


A circulação ao redor dessa península foi pensada com 1,20 m de distância, justamente para permitir que mais de uma pessoa se movimente ali com conforto, sem esbarrões nem interrupções | Projeto Atelier Paulo Tripoloni | Foto: Rafael Renzo


Mais do que beleza, uma boa cozinha exige lógica, onde se entende os fluxos, prevê ações, pensa no preparo, no armazenamento, na limpeza e no convívio, tudo ao mesmo tempo. Para Paulo, é no planejamento que o projeto se alinha com os fundamentos da ergonomia, que servem além de padronizar as medidas, para adaptar o espaço ao morador. “Uma cozinha para ser vivida precisa ser pensada para isso, não adianta seguir tendências se elas não se encaixam na rotina dos viventes. Uma bancada bonita, mas com altura errada, vai causar incômodo no dia a dia”, alerta o arquiteto.



Para Paulo Tripoloni, um projeto com soluções ergonômicas vai trazer para a rotina:


· Redução do esforço físico: uma pia na altura errada exige que o corpo compense, o que ao longo do tempo vai significar dores e desconforto. O mesmo vale para armários altos demais, fornos mal posicionados ou distâncias mal calculadas;


· Fluxo inteligente entre tarefas: com a disposição correta dos elementos e da setorização – preparo, cocção, armazenamento e higienização –, tudo fica em seu devido lugar, trazendo mais agilidade.



“Quando cada área da cozinha tem uma função bem definida, tudo muda: o ambiente fica mais intuitivo, leve e gostoso de usar”, afirma.



Medidas ergonômicas


A altura da bancada, da pia e do fogão deve respeitar a estatura de quem usa a cozinha. Em média, varia entre 90 e 100 cm, mas nada impede ajustes pontuais, já a profundidade padrão de 60 cm acomoda o cooktop e 70 cm para cubas profundas sem sacrificar espaço de circulação nem exigir grandes extensões.



“Mas ergonomia é personalização. Se a bancada não respeita o corpo de quem cozinha, o projeto, por mais bonito que seja, falha na essência. Por exemplo, já fizemos bancadas com 1 m de altura para pessoas bem altas e funcionou muito bem”, pontua Paulo.



Acima do fogão, a coifa ou o depurador precisa estar a 75 cm a 90cm de distância para evitar calor excessivo no rosto de quem cozinha e, ao mesmo tempo, captura de vapores usuais.



O triângulo de trabalho


Com tudo à mão e em distâncias calculadas, o preparo das refeições fica mais competente | Foto: Divulgação/internet


Quem jamais ouviu falar da regra do triângulo talvez não saiba que ele representa a lógica entre pia, fogão e geladeira, para que o morador não precise se deslocar desnecessariamente – o ideal fica entre 1,20 e 2,70 m. Esse valor, entretanto, não é definitivo. “Gosto de lembrar que regra boa é a que escuta o morador. Cada cozinha tem seu ritmo e o triângulo precisa acompanhar esse compasso”, ressalta o arquiteto.



Famílias que cozinham juntas ou que usam eletrodomésticos complementares, como air fry, forno de embutir, adega, merecem adaptações no esquema clássico, sempre priorizando fluxos naturais e evitando cruzamentos perigosos de panelas e crianças. Vale ressaltar que as aberturas das portas de armários e eletros podem incidir diretamente no conforto e circulação.