sábado, 08 de agosto de 2020

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As Origens do Café

Dos primórdios até os dias atuais, o café é a bebida mais consumida pela humanidade diariamente

02/03/2020 às 15:45:32 | Por: Redação

As Origens do Café

Dos primórdios até os dias atuais, o café é a bebida mais consumida pela humanidade diariamente (Divulgação)

Vamos tomar um café?


Com certeza se você não recebeu ainda um convite desse vai receber algum dia. Há os que o recebem diversas vezes no mesmo dia! Sim, mais que uma bebida, uma cultura, um estilo de vida.


Desde que o café começou a fazer parte da humanidade há mais de 2.500 anos, muita história boa aconteceu e convidamos você leitor para fazermos uma viagem histórica e de curiosidades dos altos e baixos da bebida mais consumida pela humanidade.


História



Segundo a lenda, por volta de 575 A.C, um pastor Etíope chamado Kaldi ficou intrigado com o comportamento de suas cabras após alimentá-las com arbusto e folhagens que tinham um fruto amarelo-vermelho. A medida que elas mastigavam os frutos, elas aparentavam ganhar energia e ficavam agitadas como se estivem animadas.


O pastor então levou o fruto até um monge que logo de início o classificou como “trabalho do diabo”. Porém, ao jogar os frutos na fogueira para serem incinerados, o aroma dos grãos torrados deixaram os monges extasiados.


Nesta parte em específico há alguns que dizem que quando Kaldi apresentou os frutos ao monge, ele fez uma infusão e consumiu comprovando que ela causava uma certa agitação. A partir daí começou a utilizar nas noites de rezas.


Há diversas outras histórias sobre a origem do Café, mas se quando a água quente entra em contato com o pó a cozinha toda fica com um aroma agradável que nos deixa mais feliz, imagine descobrindo a primeira vez esse aroma ao jogar os grãos no fogo para serem incinerados!


A palavra Café


O grão começou a ser cultivado na região da Arábia especificamente no Iêmen. Lá a planta era conhecida como Kaweh e a bebida denominada Cahue, cujo tradução é Força.


Com o desenvolvimento do mercantilismo na civilização da época, o Café mostrou uma força econômica e competitiva no mercado e ela foi popularizando entre os monges que a utilizam para manter suas noites de rezas e vigílias.


Conhecido como vinho da Arábia, no século XIV o café se tornou o produto mais forte do Iemen sendo este país o seu principal exportador.


Eis que em 1475 nasce na Turquia a primeira cafeteria que seria a precursora da divulgação e popularização do café no resto do mundo.


O espaço se chamava Kiva Han e deu um toque mais sutil e social a bebida trazendo elegância e rituais para o seu consumo e o prazer em consumir além dos efeitos de felicidade e bem estar e de não ser uma droga ou bebida alcóolica.


Em 1574 no Cairo e em Meca as cafeterias aparecem em todos os cantos e começam a ser frequentadas por intelectuais e poetas aumentando ainda mais o glamour e desperta a atenção dos comerciantes do Ocidente, intrigados com tanto apelo comercial do “vamos tomar um café” no mundo árabe.


De tão apreciada, a bebida começa a ser estudada por cientistas e ser revendida no Ocidente marcando presença nos diversos países criando a Ocidentalização do produto.


 



O café no Ocidente


Em 1615, o café chega ao Ocidente em Veneza na Botteghe del Caffè e ganha todo seu charme romantizado em composições de Bach e em diversos embates políticos. A Botteghe propaga as técnicas de torra e moagem do café, vendendo-o como artigo de luxo e criando polêmicas e entraves em toda a população europeia que já clamava pela popularização do fruto para que fosse acessível a todos.


O café então, seduz os Europeus.


Porém, apelidado de “A nova droga” por religiosos Europeus que não estavam nem um pouco satisfeitos com a associação da bebida com encontros sociais e musicais e por ser oriunda de um país muçulmano, o café passa ser considerado herege.


A revolta é tamanha que o Papa à época, Clemente VIII propôs batizar a bebida para que ela se torna-se Cristã. O imbróglio acabou sendo deixado de lado e aos poucos a bebida foi perdendo a crença de ser religiosa para voltar as suas origens.


Mas esse não seria o primeiro entrave em sua trajetória. Com o aumento do consumo a bebida era disputada pelos comerciantes com isto despertando inveja dos comerciantes de vinho e queijo que viram suas vendas diminuírem para serem substituídas pelo fruto e começaram a encara-lo como um concorrente aos seus negócios.


E assim o café vai expandindo por todos os lugares e curiosamente ele é a primeira vista odiado e depois amado. Vale relatar que quando ele chegou na Prússia, o rei Frederico, o Grande, tentou impedir. Porém, depois de perceber que perderia a batalha e também sua popularidade, ele inverteu o lado e começou a apoiar o consumo e criou planos ambiciosos para monopolizar o comércio na região.


Detalhe interessante se trouxermos para os tempos modernos, é comum nos dias de hoje depararmos com pessoas que dizem não gostar do café, as vezes o odiando e tempos depois podemos encontrar essa mesma pessoa sentado à uma cafeteria degustando do líquido.


Chegamos então na Revolução Francesa e nesta época o Café precisava se reinventar. O consumo era alto e caro, ele precisava virar uma bebida popular e fácil de ser preparada por qualquer camada da população. Ele estava intimamente ligado aos ideias da Revolução Francesa. Era necessário processos ágeis e barato para a produção de uma boa xícara de café e começou a estudar qual forma seria a melhor.


Ao longo dos anos diversos “métodos” foram criados, cada qual adaptado a necessidade local e então, na Itália, em 1884, Angelo Moriondo cria o protótipo do que viria a ser a Máquina de Café. Mas como sempre na história, o engenho foi criado para produção de cervejas, em desprezo do café, porém, percebeu-se uma grande oportunidade de produzir a bebida também através do processo de caldeira.


Em 1901 Luigi Bezzerra em Milão cria a invenção que vai agilizar o preparo do Café introduzindo o líquido direto na Xícara. Ele introduziu um porta filtro, compartimento para os grãos e outras inovações. A máquina em segundos produzia uma xícara de café.


E quem levou o café para todos os lugares?


Segundo consta, por volta do século XVI os holandeses que tinham o controle do comércio e os melhores navios foram os responsáveis por levar os grãos e técnicas de preparo para os diversos cantos do mundo.


E no Brasil?



Nossa história com o café em território nacional data de 1727 trazida por Francisco de Melo Palhete. Bandeirante ele trouxe a planta clandestinamente pela Guiana Francesa. Logo a planta se sentiu em casa e multiplicou-se. O clima favorável fez com que rapidamente ela atendesse toda a demanda regional.


Da demanda regional à atividade econômica, passaram-se 100 anos de história. Apelidado de “ouro negro” o café passa a ser parte do modelo econômico do país sendo capitaneado pela região do Vale do Rio Paraíba onde não havia ouro e precisava de um produto concorrente.


Nascem os barões do Café e os escravos eram a principal força de trabalho nas fazendas cafeeiras. Com o aumento da imigração por volta de 1850 e a proibição do tráfico de escravos as fazendas começam a contratar trabalhadores assalariados. Exige-se melhorias e condições humanas, itens que influenciaram a abolição da escravatura em 1888.


Em 1929 o Brasil já dominava a produção mundial de café. Com uma indústria defasada o pais ocupava o posto de produtor porém vendia sua produção crua para ser industrializada em outros países. O país então deixa de se gerar riquezas porque tem maquinários ultrapassados.


Atualmente


A cultura do café tornou-se rígida no mundo inteira, com regulamentações e padronização desde o plantio até a finalização da bebida. Centenas de municípios tem o café como fonte de receita que gera centenas de postos de trabalho em todo o país. A produção de grãos estimadas ultrapassa 60 milhões de sacas.


No final


Ufa! Depois de toda essa viagem resumida em mais de 2500 anos de história, foi possível perceber a história de amor e ódio, ou podemos dizer de ódio que vira amor para todos que consomem a fabulosa bebida que traz felicidade, aumenta a disposição e deixa nosso dia com certeza mais feliz. Se você, caro leitor nunca experimentou a bebida convidamos para que o faça e aprecie desde desde seu preparo, sentindo o aroma quando do contato com a água quente e degustando cada gole acompanhado de um bom papo.


E então, vamos tomar um café?