Acontecendo...

    16/07/2018 -

    Núcleo 2 estreia espetáculo multimídia no Graneleiro da Swift

    Após participação no FIT Rio Preto, grupo estreia Galeria para Cemitérios, que aborda fim da humanidade, com sessões nesta terça e quarta (17 e 18/7); até final de julho, grupo fará oito apresentações em quatro diferentes espaços de São José do Rio Preto.



    Após levar a instalação Ensaio para Galeria ao Festival Internacional de Teatro de Rio Preto - FIT Rio Preto, o Agrupamento Núcleo 2 estreia nesta semana a obra completa que resulta de sua pesquisa sobre a fusão de linguagens artísticas: o espetáculo multimídia Galeria para Cemitérios.

    As apresentações são nesta terça e quarta (17 e 18/7), às 20h, no Graneleiro do Complexo Swift, e fazem parte de uma minitemporada que segue até 29 de julho, ocupando quatro diferentes espaços de São José do Rio Preto com um total de oito sessões. As apresentações serão às terças e quartas e aos sábados e domingos, com ingressos a R$ 5 (meia) e R$ 10 (inteira). A venda será nos locais, com início uma hora antes das sessões. Além do Graneleiro, o Núcleo 2 vai ocupar o Centro Cultural Vasco (21 e 22/7), o Jorge Etecheber Studio Fotográfico (24 e 25/7) e o Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto (28 e 29/7). Cada apresentação tem limite de 40 lugares.

    O espetáculo é ambientado no futuro, mostrando a empresa GPC, que atua no garimpo e manipulação de pedaços de coisas esquecidas da humanidade. Após uma grande catástrofe, o espaço reúne peças para serem instaladas em cemitérios. Não há vida dentro da sala, mas ainda é possível ouvir algumas vozes. O espectador irá visitar uma instalação artística visual e sonora que abre espaço para as ações cênicas dos artistas e utiliza a tecnologia binaural (sistema de fones que reproduz a forma como os sons são captados pelo ouvido humano).

    O mote conceitual da obra é um olhar para os acontecimentos políticos e sociais do país, projetando suas transformações no futuro. “Se hiberbolizarmos o momento político e social em que vivemos, observamos aí uma grande antropofagia. Estamos próximos de sermos devorados por nós mesmos, inclusive pelos nossos iguais”, diz Jef Telles, diretor, sobre as questões que pautaram a pesquisa do grupo. “Penso que a importância dada às redes sociais coloca o indivíduo como um protagonista do seu meio, o que é ótimo. Entretanto, se aliarmos isso ao excesso de informações, observo uma grande sede do cidadão em ganhar notoriedade, custe o que custar. O respeito está gradativamente perdendo lugar para uma voz barata e frágil. Não é muito difícil vislumbrar uma grande guerra civil por motivos até mesmo banais. A questão é: será que não tem alguém plantando essa discórdia?”, pontua o diretor.

    Os artistas que atuam no espetáculo são os atores Cássio Henrique e Ronaldo Celeguini e o bailarino Vinícius Francês. Completam a equipe Marcelo de Castro (trilha sonora), Luis Fernando Lopes (iluminação), Jorge Etecheber (fotografia) e Daniela Honório (produção).

    O trabalho faz parte da pesquisa do grupo, que desde 2011 debruça-se sobre a fusão de linguagens artísticas. Galeria para Cemitérios foi contemplado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural) de Artes Integradas, o que permitiu o aprofundamento do trabalho.

    Jef Telles explica que Galeria para Cemitérios é a continuidade do projeto Ensaios para Ninguém, sintetizando o material captado e as vivências adquiridas em uma costura de ações: sonora, visual, corporal e audiovisual. Ensaios para Ninguém começou em 2015, com objetivo de ocupar espaços de São José do Rio Preto, envolvendo a dança, o debate, a performance, o teatro, as artes visuais e a música. Foram realizados 11 ações e o projeto contou com a parceria do Sesc, dentro do Festival de Artes Integradas BREU.

    Neste ano, durante o processo de construção de Galeria para Cemitérios, o Agrupamento Núcleo 2 realizou quatro intervenções urbanas em locais distintos, entre maio e junho, fazendo captação de imagens. Na primeira, Operação Mausoléu, o roteiro levou os operadores da empresa GPC às ruas a procura de objetos, pedaços esquecidos da humanidade. Depois, na intervenção Laboratório de Memórias, eles manusearam e manipularam esses objetos. Continuando a saga pela procura de coisas inanimadas, se depararam com um ser, ainda vivo, nas proximidades do Vale de Noz, nome da terceira intervenção, realizada no Zoológico Municipal de São José do Rio Preto. Na última ação, chamada Aldeia do Tempo, os operadores continuaram seus trabalhos, instalando peças para visitação pública no cemitério de Noz, quando o Núcleo 2 ocupou o Cemitério Municipal da cidade de Bady Bassitt.

    Além de contemplado pelo ProAC, o projeto foi selecionado para integrar a programação do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto - FIT Rio Preto 2018, dentro da Cena Rio Preto. O grupo realizou uma residência artística com o diretor Marcelo Denny e dois ensaios abertos, no Graneleiro da Swift. Antes do FIT, dentro do projeto Laboratório Cênico, do Sesc, o coletivo participou de duas oficinas, uma com o grupo pernambucano Magiluth e outra com a atriz, dramaturga e diretora Lucienne Guedes.

    Na minitemporada, o Núcleo 2 conta com a parceria da Prefeitura de Rio Preto e do Studio Fotográfico Jorge Etecheber.



    Sobre o Núcleo 2

    Fundado no início de 2006, o grupo sediado em São José do Rio Preto transitou entre diversos gêneros das artes cênicas, tais como realismo, épico, performance e o teatro de experimentos. Com um pulso inquieto, em 2011, o Núcleo 2 deu início a um importante diálogo com o audiovisual, por meio do Processo: Metamorfose, que consistiu na transformação de intervenções urbanas em videoartes.

    Canalizando forças dentro da pesquisa de fusão de linguagens, o grupo estreou o espetáculo Quadrado em 2013. Com a proposta de verticalizar ainda mais os seus experimentos, o Núcleo 2 se assumiu como um coletivo multimídia de artes integradas durante o ambicioso projeto Ensaios para Ninguém, em 2015. Dentro do universo das artes integradas, produziu também as obras Pazsado e Prezênite.



    Sinopse:

    Hemisfério marginal da Terra, futuro: A GPC, empresa especializada na instalação de galerias de arte em cemitérios, encontrou um ser, aparentemente humano, em estado vegetativo. Operadores tentam acessar a memória do seu corpo. Será que existe algo dentro dele? Será que alguma vez existiu?


    Serviço:

    Galeria para Cemitérios

    Agrupamento Núcleo 2 (São José do Rio Preto/SP)

    Graneleiro da Swift: 17 e 18/7 (terça e quarta), às 20h

    Centro Cultural Vasco: 21/7 (sábado), às 20h, e 22/7 (domingo), às 19h

    Jorge Etecheber Studio Fotográfico: 24/7 (terça) e 25/7 (quarta), às 20h

    Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto: 28/7 (sábado), às 20h, e 29/7 (domingo), às 19h

    Ingressos: R$ 5 (meia) e R$ 10 (inteira)
    Veja mais »